14 de julho de 2006

Medaka Japonês (Oryzias latipes)

Aproveitando o recente entusiamo com que ando pelos biótopos de água fria, deixo aqui mais uma ficha de espécie, desta vez são os simpáticos Medakas.

Temminck & Schlegel, 1846

Photobucket - Video and Image Hosting

Um exemplar macho do Medaka Japonês.


Ordem: Beloniformes.

Família: Adrianicthyidae.

Subfamília: Oryziinae.

Sinónimos: Poecilia latipes, Aplocheilus latipes.

Sinónimos comuns: Medaka, Peixe-do-arroz Japonês, e em inglês: Japanese medaka, Japanese ricefish.

Origem: No Japão mas também na China, Formosa, Coreia e Vietname.

Habitat natural: Rios de águas lentas e arrozais, cursos de água subtropicais.

Descrição: São peixes esguios e comprimidos lateralmente, a sua coloração em estado selvagem é de um cinzento-prateado, sendo nas variedades de aquários ou branca ou amarela – as duas principais variedades obtidas por reprodução selectiva. A barbatana dorsal ocupa uma posição marcadamente posterior, próxima do pedúnculo caudal; a barbatana anal é mais extensa do que é normal, por comparação com a dorsal que tem uma dimensão menor do que esta.

Comprimento máximo: 4 cm.

Dimorfismo sexual: As fêmeas são geralmente mais “cheias” do que os machos e estes têm as barbatanas dorsal, peitoral e anal mais desenvolvidas. Outro sinal distintivo poderá a presença de uma abertura separando os raios da barbatana dorsal, na sua zona inferior, nos machos (sendo está a forma de diferenciação mais fiável).

Photobucket - Video and Image Hosting

Gráfico em Japonês assinalando as características dimorfas.


Esperança de vida: Pelo menos 3 anos confirma-se.

Temperatura: 18 a 24 °C, na natureza podem suportar durante breves períodos temperaturas extremas que se encontram numa amplitude entre os 5 e os 35 °C.

pH: Neutro a ligeiramente alcalino, 7 – 8.

Dureza da água: Ligeiramente dura a dura, 9 – 19 °dGH.

Dieta: São omnívoros e a sua dieta pode ser constituída por flocos (para peixes de água fria ou tropicais), zooplâncton, granulado, dáfnias e náuplios de artémia. Os Medakas alimentam-se à superfície do aquário podendo, no entanto, procurar comida no fundo do aquário.

Hora de actividade: São diurnos.

Aquário: Dadas as pequenas dimensões que a espécie atinge não será necessário um aquário muito grande, por outro lado, tendo em conta que são um peixe de grupo em que é conveniente existirem pelo menos 5 indivíduos no aquário, este deverá ter no mínimo 20 litros de capacidade. O aquário deve ter bastante vegetação em “arbusto” próxima da superfície que proporcione um suporte adequado para a desova. O aquário pode não ter aquecimento, visto esta espécie ser originária de águas temperadas e não tropicais – pelo mesmo motivo pode ter como companheiros de aquário outras espécies de águas temperadas e não-agressivas como: Tanichtys albonubes, Beaufortia leverettii ou mesmo Carassius auratus (até dimensões médias não existe risco algum), por exemplo. Podem viver durante os períodos menos frios do ano em lagos exteriores.

Zonas do aquário: Meio, no entanto podem-se vir alimentar-se à superfície e ao fundo.

Sociabilidade: São peixes pacíficos que, não sendo de cardume, gostam de viver em grupo; dão-se bem com todo o tipo de peixes desde que estes não sejam agressivos, pois não se defendem a si mesmos.

Variedades: As duas principais variedades “naturais” são a branca e a xântica (amarela), ambas obtidas por reprodução selectiva. Existem também, infelizmente, variedades que não são naturais, ou transgénicas – sendo estas fluorescentes e capazes de brilharem no escuro, através da adição de material genético de Medusas e comercializadas pela empresa de produtos de aquariofilia Azoo. A mais conhecida é a TK-1 “Golden Night Pearl” que emite uma cor amarela-esverdeada, existem também as variedades TK-3 e TK-4, entre outras, sendo as mencionadas de pigmentação azul e de fuchsina (avermelhada) respectivamente. Os criadores destas variedades transgénicas afirmam que as mesmas são estéreis. Para mais informação ver em: http://www.gio.gov.tw/info/nation/fr/fcr97/2005/04/p20.html .

Photobucket - Video and Image Hosting

Espécimes de uma variedade fluorescente.


Photobucket - Video and Image Hosting

Um espécime da variedade dourada.


Reprodução: São ovíparos de fertilização externa (havendo no entanto relatos da possibilidade de fertilização interna, ver em:
http://www.fbas.co.uk/Ricefish.html ). Têm tendência a reproduzirem-se durante a Primavera, apesar de serem não-anuais. O processo é despoletado através da temperatura que deve ser ajustada para perto dos 25°C e o período de luz deve ser aumentado de modo a simular a extensão dos dias durante a Primavera. Durante o processo reprodutivo a fêmea ganha um aspecto que pode ser tão inchado como aquilo que é comum observar nos vivíparos, de seguida manterá os ovos fixados em cacho (cada um pode conter entre 10 e 20 ovos e estão pendurados e ligados entre si por um pequeno filamento opaco) entre o abdómen e a barbatana anal durante algumas horas, período em que o macho os fertiliza, depositando-os posteriormente em plantas de folhas preferencialmente finas ou num mop, onde se roça para desprendê-los. Neste ponto, para assegurar uma melhor taxa de sobrevivência dos alevins é aconselhada a remoção dos ovos para um aquário próprio. Este procedimento tem uma maior probabilidade de ser observado pela manhã que é o período preferido pelos machos para levarem a cabo a fertilização. Uma fêmea pode produzir ovos todos os dias durante um período de várias semanas.
Os ovos têm um tamanho entre 1 e 1.5 mm e são transparentes e demoram entre 1 e 3 semanas a eclodir, dependendo isso de vários factores como as características da água e a sua temperatura. Estes após a postura podem ser, à semelhança do que acontece com os killis, ser transferidos para um aquário próprio onde irão eclodir, durante o período de incubação é de especial importância a boa qualidade da água.
Os alevins são fáceis de criar e podem ser alimentados com comidas comerciais para alevins.

Photobucket - Video and Image Hosting

Uma fêmea com ovos apresentado um aspecto inchado.


Comportamento: É um peixe nada problemático e bastante robusto que gosta de viver em grupos com a sua espécie dando-se também bem em aquários comunitários com espécies pacíficas e de dimensões que não sejam demasiado grandes. São peixes extremamente pacíficos.

História e curiosidades: São representantes do genéro Oryzias, o único existente na sub-família Oryziinae. É um peixe muito extensivamente utilizados para estudos científicos na área da genética e dos carcinógenos – será um dos poucos peixes mais conhecidos por cientistas do que por aquariófilos. A esta apetência pela sua utilização enquanto objecto de estudos científicos não será alheio o facto de ser um peixe bastante resistente que vive muitas vezes em águas com elevado grau de poluição; outra das suas características, a pigmentação uniforme e clara que tem na sua forma selvagem levou a que fosse seleccionado para o infeliz projecto de produção de peixes fluorescentes já mencionado acima.
É, felizmente, um animal muito apreciado pelo povo japonês, especialmente as crianças, pelo seu carácter e aspecto simpático – sendo mesmo organizadas excursões escolares para observação e recolha de exemplares nos seus habitats naturais.

10 de julho de 2006

Setup nº5 - Nano "Biótopo" de Água Fria

Estou finalmente de férias e novamente com tempo para dedicar ao blog que, nos últimos tempos, tinha andado um pouco abandonado e muito pouco à altura daquilo que para ele pretendo, um site de cada vez maior excelência sobre este hobby fantástico que é a aquariofilia. Pelo que vou tentar que este primeiro post seja particularmente interessante, razão pela qual vou nele expor o meu mais recente projecto, do qual estou especialmente orgulhoso: um nano “biótopo” de água fria! Primeiro deixo aqui o setup e de seguida tentarei comentar os aspectos mais interessantes do aqua.

Substrato:
Lavalite, diversos seixos médios de rio.

Equipamento:
Dymax Clip Lighting de 11 Watts.
Filtro externo de cascata Jebo 501 Mini filter de 250 l/h, material filtrante de esponja e EHEIM Substract pro, com oxigenação por agitação.
Aquário de “água fria” sem termóstato.
Termómetro interno.

Flora:
Musgo de Java (Vesicularia dubyana), altura de +5 cm, largura de +5 cm, luz muito baixa a muito alta, temperatura de 15-28 °C, pH de 5-9, crescimento lento, origem na Ásia.

Photobucket - Video and Image Hosting


Ceratophyllum demersum, altura de 5-+80 cm, largura de 5-+15 cm, luz muito baixa a muito alta, temperatura de 10-28 °C, pH de 6-9, crescimento rápido, origem cosmopolita.

Photobucket - Video and Image Hosting


1 Cladophora aegagropila, altura de 3-10 cm, largura de 3-10 cm, luz muito baixa a alta, temperatura de 5-28 °C, pH de 6-8.5, crescimento muito lento, origem na Europa e Ásia.

Photobucket - Video and Image Hosting


Fauna:
Casal de Medakas Japoneses, (Oryzias latipes), comprimento máximo de 4 cm, temperatura de 18-24 °C, pH de 7-8, origem na Ásia – Japão, China, Coreia.

5 Vairões de Montanha da Nuvem Branca (Tanichthys albonubes), comprimento máximo de 4 cm, temperatura de 8-25°C, pH de 6-8, origem na China.


Havia já muito tempo que tinha vontade de fazer qualquer coisa com peixes de "água fria" que não se resumisse a um aqua de Carassius auratus, um pouco uma vontade de provar que existe "vida" para além dos aquários tropicais e que com água fria (os parentes pobres da aquariofilia) se podem fazer coisas tão interessantes como com os tropicais; este é um nano, pelo que me restringi a animais pequenos, no entanto tenho a sensação de que ainda só estou a começar no que toca a espécies não-tropicais - as hipóteses são tantas... há muitos peixes de regiões temperadas que na minha opinião não ocupam o lugar que merecem no hobby. Seja como for este é um meu primeiro esforço exploratório deste conceito, que gostaria muito de ver ganhar uma projecção maior, pois já li sobre biótopos de água fria, especialmente chineses, de rios de montanha, em alguns sites e livros mas confesso que nunca vi ninguém que tivesse montado um, vi já também "micro-nanos" com camarões de Nuvens Brancas que eram essencialmente plantados e os animais estavam lá apenas como adereço, mas não considero isso própriamente um aqua de água fria no sentido em que vinha falando.
Neste aqua utilizei um Aquapor de 15 Litros, daqueles que toda a gente já teve mas de que ninguém gosta (incluindo eu) :P, nele fiz uma pequena adaptação, mais de motivos estéticos mas também funcionais, que foi retirar o bordo plástico superior do aqua onde encaixam a calha e a tampa (uma tarefa que nao desejo a ninguém, que me ocupou cerca de duas horas enfiado na banheira com uma lâmina de barbear que não resistiu à experiência!), já que não ia utilizar nem uma nem outra - este será um aquário aberto, com filtro externo e iluminação de mini-calha.
Ou seja, um paraíso de água fria em ponto pequeno! Não será propriamente um plantado, já que a enfase está nos peixes, mas terá bastantes plantas; nisto entra uma ideia "alargada" de biótopo, toda a vegetação será de origem asiática e escolhida com a preoupação de suportar bem um ambiente temperado e que funcionassem bem num espaço de 15 litros. Convém mencionar que procurei escolher plantas que não fossem demasiado complicadas ou "esquisitas" e selecção recaiu sobre: Vesicularia dubyana, Ceratophilum demersum, Urtricullaria graminifolia (quanto a esta planta trata-se da minha primeira experiência com ela, mas tem reputação de não ser muito exigente) e uma Cladophora aegagropila. Coloquei também uns rebentos de Eleocharis acicularia, à experiência, que restaram de uma planta que moribunda doutro aqua e que, tenho esperança, neste aqua se venha a dar bem.
A iluminação é uma Dymax Clip Lighting de 11 watts, de preço bastante em conta e uma intensidade bastante agradável para 15 litros brutos - gosto especialmente do facto de me permitir manter o aquário aberto. E como no que respeita a nanos a poupança do espaço interno é uma ideia-chave, optei por um pequeno filtro externo de cascata, um Jebo 501; ainda andei a namorar os da Eheim mas para além de o mais pequeno (o 100 se não me engano) ter ainda demasiada força, são um pouco maiores e um pouco mais caros. Uma área em que pisei terrenos desconhecidos foi com o substracto, estando eu farto do areão de rio comum, não sentindo grande afinidade com a ideia de dar os olhos da cara por um substracto fértil comercial, e tendo a ideia fixa de que queria experimentar um substracto escuro, resolvi optar por 2 kilos de lavalite.
Este é o resultado final:

Photobucket - Video and Image Hosting

Um plano geral do aqua.

Photobucket - Video and Image Hosting

Agora um plano de pormenor.

24 de junho de 2006

Projectos

Há já bastantes dias que aqui não escrevo mas não tem sido por falta de vontade, tem sido por falta de tempo, o ano na Universidade está quase a terminar e os exames têm estado aqui em força, no entanto não me tem faltado actividade aquariofila, nomeadamente uma remodelação a fundo do aqua de 65 litros sobre o qual estou finalmente a conseguir obter ideias consistentes - está no bom caminho, no de ser um aquário original e de aspecto agradável e funcionamento equilibrado. Tenho também tentado concretizar pequenos projectos nos outros aquas, a introdução de um casal de Ramirezis Dourados no aqua de 20 litros onde deixei, finalmente, de tentar adequar a água e o seu pH de 6 aos peixes e optei por adequar os peixes à água, ou seja, retirei do aqua o trio de Guppys e os Tanichtys e coloquei lá os Ramirezis e os Neons que estavam no aqua de 65 litros, de modo que agora todos vivem felizes e contentes! Os Ramirezis são uma grande curiosidade minha desde há algum tempo, mas sempre me intimidou um pouco a sua reputação de peixes delicados, também me deixa contente que agora já me sinta à altura de manter esta espécie lindíssima de aspecto e, alegadamente, de carácter.
Os próximos passos prendem-se com o aumento equilibrado e sustentado das espécies vegetais e necessárias melhorias na iluminação, bem como a aquisição de algumas espécies menos vulgares (talvez uns parentes do Comedor de Algas Siamês que descobri recentemente e me agradaram bastante que são os Crossocheilus latius, e alguns Melanotaenia praecox...) para povoarem o aqua de 65 litros que agora está espaçoso demais. :) Infelizmente tenho estado sem nenhuma das minhas máquinas fotográficas e ainda não tenho fotos para aqui colocar, mas assim que me seja possível vou tratar de as providenciar!
Um grande projecto que tenho vindo a formular, mas que só é exequível a médio prazo por motivos financeiros :P, um "Aquário Chinês" - Tanichtys albonubes, Beaufortia leverettii, Oryzias latipes (este não sendo propriamente chinês anda lá perto) e, claro, a eterna estrela deste mundo feito de água que dá pelo nome de Carassius auratus; é este tipo de fauna, de grande distinção e bonomia, que vai dar vida a este projecto. Está só a começar o projecto mas vai ser algo em grande; vou aqui criar uma série de entradas a ele dedicadas.

13 de junho de 2006

Mais mudanças e melhoramentos

Os últimos dias têm sido um pouco acelerados e com escasso tempo passado em casa perto dos aquários, logo as minhas actividades aquariofilas têm passado mais pela recolha de informação e aperfeiçoamento de ideias, reflexão sobre espécies que me interessem e que tenho possibilidades de manter, melhoramentos no funcionamento dos aquas e dos lay-outs. Foi no envolvimento destes pensamentos que tomei a decisão de reformular o aquário de 65 litros (isto faz já uns dias desde que iniciei esse trabalho), nunca fiquei contente com ele. O caso é que foi montado na pressa do entusiasmo de o montar. Já tenho bem obrigação de saber que as coisas só funcionam à altura das melhores expectativas quando se planificam e se gasta o tempo necessário à criação das condições adequadas.

O aquário de 65 litros, conclui, que tinha espécies de plantas demasiadamente diversificadas e que isso em termos visuais limitava a consistência do aquário. Em certa medida conclui o mesmo no que respeita aos peixes, tinha duas espécies de Tetras, os Neons e os Cobre (Paracheirodon innesii e Hasemania nana) e isso, ainda que em si não tenha mal algum, não dava nenhuma calma ou orientação visual ao aqua, havia sempre peixes dispersos por todo o aqua, sempre coisas a mexerem-se indistintamente, simplesmente não funcionava de modo que me parecesse agradável.

O aquário tinha uma parte com uma bela areia castanha e o restante com areão de vários tamanhos e várias cores misturadas (incluído algumas pepitas de areão colorido) que davam, no geral, um ar pardo ao areão que mal de distinguia da areia e, no particular um ar caótico, um tronco comprido com uma Anúbia erguido no meio do aqua e algumas rochas castanhas claras que apenas eram mais elementos que indefiniam o aqua em vez de o definir. Uma das coisas que de imediato percebi que tinha que alterar era o areão, com aquele o aqua nunca ficaria decente, apontei a mira para um areão escuro que contrastasse com a areia (essa sim bastante bonita), lá fui correndo as lojas numa prospecção de areão escuro; penso que o essencial da minha ideia seria algo que tivesse a ver com um Power Soil castanho da ADA, mas isso está muito além do alcance da minha bolsa, e já que o o aqua não vai ser um plantado (apesar de ter algumas plantas) o investimento não se justificava. Acabei por comprar um areão negro da Scalare, indicado como sendo próprio para ciclídeos, nada de mais além de uma provavél subida do pH que não me incomoda particularmente. Não é aquilo que tinha imaginado mas funciona razoavelmente bem o contraste entre o areão escuro e o verde das Hygrophilas que coloquei nessa zona do aqua. O problema que agora se me apresenta por resolver incide sobre que tipo de rochas vou por no aqua, tenho duas “manchas” principais, uns 2/5 de areia castanha clara e uns 3/5 de areão cinzento escuro, cortados por um tronco comprido e fino de um castanho muito escuro tombado no fundo numa posição que borda o recorte da mancha de areia; agora necessito de encontrar uma rocha razoavelmente grande que sirva como ponto focal do aqua cuja cor combine com as duas principais manchas de cor já existentes (não me agrada a ideia de introduzir uma nova coloração principal no aqua).

A fauna reduzi-a; retirei os tetras e mantenho neste momento apenas uma Ameca, duas Mollies, 5 Corys Panda e um Pitbull, no entanto penso introduzir mais uma Molly fêmea, duas Amecas fêmeas, talvez mais uma ou duas Corys, uns dois Beaufortia levertti e mais uma espécie pequena de cardume, talvez Nuvens Brancas ou Medakas. Ando com a ideia de me dedicar a alguma espécie um pouco mais rara e que funcione em grupos pequenos, e que, claro, seja também pequena.

Assim que puder coloco aqui uma foto do “work in progress”.

O outro aquário intervencionado foi o das Jordanelas, de 15 litros. Deixou de ser de 15 e passou a ser de 30 litros (uma pechincha, da Aquatlantis, a que juntei uma calha de 50 cm com uma T8 de 15 watts que tinha encostada), não que houvesse algo de errado com o lay-out existente ou o funcionamento do aqua, apenas estava tudo um pouco “apertado”. De resto nada mudei, a mesma flora, o mesmo substracto, o filtro apenas o troquei com o do aqua de 37 litros, o excelente deste é que me permite cria um efectivo ponto focal e, o melhor de tudo, introduzir mais exemplares ou talvez uma nova espécie, de killis em princípio, mas estou ainda bastante indeciso, o óptimo é ter possibilidades em aberto!

Quanto a fotos, vale o que disse sobre o outro aqua.

7 de junho de 2006

Susto

Estava eu muito contente a introduzir duas Corys Bronze (Corydoras aeneus) na sua nova casa, o aqua de 15 litros que tenho em Setúbal em casa dos meus pais, quando reparo que o fundo do aquário está imundo. Tinha estado a fazer uma tpa que levantou alguma da areia, que entretanto assentou mas que trouxe ao de cima uma camada razoavel de detritos. Reparo nisto e tinha acabado de colocar o camaroeiro com as corys no aqua - pareceu-me que as duas tinham saído, rapidamente retiro o camaroeiro e começo a aspirar a areia. Terminada a operação, olho o aqua para verificar o que estão achando os novos inquilinos dos seus aposentos, mas apenas vejo uma das corys, pensei que a outra estivesse escondida no "desfiladeiro"; mas nada, não existe uma das corys no aquário. Pensando que "claro que um peixe não leva sumiço em minutos", ponho-me a analisar as hipóteses lógicas que são possíveis, então surge fulgurante a palavra "CAMAROEIRO" na minha cabeça! Lá estava a pobre cory em seco fazia uns 10 minutos... mal a ponho na água sai disparada para o fundo e lá fica de pernas (ou barbatanas?) para o ar.
Já a dava como baixa por conta da minha estupidez. O certo é que agora, coisa de uma horita após os eventos relatados, estão as duas eléctricas e juntinhas vasculhando o fundo do aqua.

Mais cinco pontos para as corys!

6 de junho de 2006

Coridora Panda (Corydoras panda)

Tal como havia mencionado, a ficha da Corydoras panda, em que estava a trabalhar está agora completa e à disposição de todos os admiradores destes simpaticíssimos animais! :P

Coridora Panda (Corydoras panda)

Nijssen & Isbrucker, 1971

Duas Corydoras panda descansam juntas.

Ordem: Siluriformes.

Família: Callichthyidae.

Sinónimos: Não são conhecidos.

Sinónimos comuns: Não são conhecidos.

Origem: Do Peru, da alta bacia do Amazonas. Também pode ser encontrada nos seguintes rios: Rio Aquas, Rio Amarillas, e no sistema do Rio Ucayali.

Habitat natural: As condições do rio onde foi identificada pela primeira vez (o Lullapichis, do sistema do Ucayali) eram as seguintes: um pH de 7.7 e uma dureza total de 3.1 dGH, a temperatura da água variava entre os 23.5° C durante o dia e descendo durante a noite para os 22.5° C. Ou seja, prefere geralmente águas um pouco mais frias do que o que é normal em espécies tropicais, visto que é originária dos rios nas encostas dos Andes onde as águas são mais frias e com alguma corrente.

Descrição: São pequenos peixes com um aspecto curto e encorpado, cujo corpo é constituído por placas ósseas articuladas. O corpo tem uma coloração entre um amarelo muito claro e um bege rosado muito claro também, excepto no pedúnculo da barbatana caudal, na barbatana dorsal e junto aos olhos, onde tem pequenas manchas negras, que nas junto aos olhos têm a forma de listas. Têm junto à boca dois pequenos barbilhos. As barbatanas dorsal e peitorais possuem espinhas. Os opérculos têm um aspecto brilhante.

Comprimento máximo: 4 cm nos machos e 6 cm nas fêmeas.

Dimorfismo sexual: Não é muito pronunciado, no entanto as fêmeas são maiores e mais largas, especialmente se vistas de cima. O macho tem uma forma mais esguia.

Esperança de vida: O comum é viverem cerca de 5 anos mas podem, em condições óptimas, viver cerca de 10 anos.

Temperatura: 19 a 28 ºC, sendo no entanto a amplitude em que se sentem mais confortáveis entre os 21 e os 25 ºC.

pH: Ligeiramente ácido a ligeiramente alcalino, 6 – 8. O pH ideal será um neutro, o mais próximo possível do 7.

Dureza da água: Macia a moderadamente dura, 2 – 12° dGH.

Dieta: São omnívoros, podem ser alimentado com flocos de alta qualidade e devem ser alimentadas em boa medida com pastilhas de fundo. Também apreciam larvas vermelhas e tubifex.

Horas de actividade: São diurnos.

Aquário: Por esta espécie de Coridoras não atingir um grande tamanho um pequeno grupo (cerca de 6) pode ser mantido em aquários relativamente pequenos, de cerca de 20 litros e sem mais peixes. Em aquários comunitários maiores podem ser mantidos grupos maiores. O aquário deve ser muito bem arejado e ter alguma corrente. O areão não deve ter arestas cortantes onde as Coridoras possam ferir os barbilhos que constantemente percorrem o fundo do aquário em busca de comida. Além disso deve ter alguns abrigos onde os animais possam descansar, algo que normalmente fazem em grupo.

Zonas do aquário: Fundo (com ocasionais corridas até a superfície para respirarem).

Sociabilidade: São peixes extremamente sociais que devem ser mantidos em grupos de pelo menos 6 congéneres, ou pelo menos outras corydoras de tamanho idêntico. São dos peixes mais pacíficos que se pode colocar num aquário comunitário. Podem ser por vezes tímidas ou assustadiças se não foram mantidas em grupo ou se foram mantidas com peixes agressivos.

Variedades: Não são conhecidas. É, no entanto, muitas vezes confundida com outras espécies de coridoras como a Corydoras melini, Corydoras adolfoi, Corydoras davidsandi, ou Corydoras metai por exemplo.

Reprodução: É uma espécie ovípara e não muito difícil de reproduzir, desde que se verifiquem condições da água e uma dieta favoráveis. Trocas parciais de água a uma temperatura inferior da que se encontra no aquário ou alimentação com comida viva podem induzir à postura. Para proceder à reprodução deve-se, idealmente, isolar um pequeno grupo, de um macho e duas ou mais fêmeas (deste grupo irá emergir um casal), num tanque próprio de, pelo menos, uns 40 litros. O aquário deve ter algumas plantas (mas preferencialmente Musgo de Java ou Feto de Java) onde os ovos possam aderir já que as coridoras preferem colocar os ovos em folhas de plantas que preparam e limpam para o efeito, do que no fundo do aquário – o fundo do tanque pode ser despido ou coberto com areia fina. Em adição, um pequeno filtro apenas com esponja e um bom arejamento da água proporcionam, em princípio, o conjunto das condições necessárias para uma reprodução bem sucedida.
Após formarem um par, o macho e a fêmea procedem a um enérgico ritual de acasalamento com o macho a posicionar-se sobre a fêmea na perpendicular, numa posição em “T”. A fêmea carrega os ovos junto ás barbatanas peitorais e apenas um de cada vez. É das espécies de coridoras que menos ovos põe a cada postura, e estas normalmente ocorrem por altura do “crepúsculo”, um pouco antes ou depois das luzes se apagarem.
O comportamento dos pais no que respeita a comerem ou não os ovos e aos alevins pode ser imprevisível, pelo que é aconselhável remover os animais adultos do aquário após a postura. Os ovos eclodem entre 3 a 6 dias após a postura. Os alevins devem então ser criados em tanques rasos, como coridoras que são vão necessitar de subir a superfície ocasionalmente em busca de ar, dada a sua pequena dimensão e estado de desenvolvimento essa tarefa deve ser facilitada mais possível. Os alevins devem inicialmente ser alimentados com infusória e náuplios de artémia, passado algum tempo podem começar a comer pequenos flocos. Após cerca de 5 dias as pequenas coridoras começam a vasculhar o fundo do tanque em busca de comida.

Comportamento: São uma espécie activa, muito social e gregária entre si e outras coridoras, e nada agressiva para companheiros de aquário. Devem ser mantidos grupos de 6 indivíduos no mínimo, uma vez aclimatados passarão a maior parte do seu tempo vasculhando o fundo do aquário em grupo buscando comida ou descansando, de preferência, numa zona coberta do aquário. De vez em quando nadam num movimento repentino até a superfície do aquário para absorverem ar.

História e Curiosidades: Foi capturada pela primeira vez por num pequeno arroio junto ao Rio Lullapichis, do sistema do Ucayali, em 1969 e descrita em 1971 por Nijssen e Isbrücker. O seu nome específico, panda, faz alusão as semelhanças da sua coloração com a dos ursos Panda.

4 de junho de 2006

Ponto da situação II

Só um rápido ponto da situação: já testei os aquas para os nitratos e mais alto foi o de 20 litros, vou agora fazer uma tpa. Adicionei à minha família aquática o Crossocheilus siamensis e mais duas Corydoras panda. Estão a dar-se muito bem nos aquas e brevemente vou por-lhes aqui o retrato. Entretanto também estou quase a terminar uma nova ficha de espécie, a da Corydora Panda, que amanhã, no máximo, espero aqui colocar. :)

2 de junho de 2006

Actualizações

Estive a actualizar os setups já aqui publicados e que sofreram todos eles algumas alterações nos últimos dias, no 2 e no 4 quase imperceptíveis, no 3 sim foram mais significativas e não pararam ainda - é um aqua com o qual não estou nada contente, especialmente no que toca à vegetação, já experimentei bastantes plantas que acabaram por sair após uns dias no aqua, e continuo sem entender com quais poderá funcionar. O caso é que a iluminação também nao é grande coisa e isso sem dúvida que limita as opções.

Entretanto estive a medir a dureza total da água de cada um dos aquas e já actualizei a tabela, amanhã terei que arranjar um teste de nitratos, já que estou desconfiado que podem ser nitratos em excesso o que está a causar a queda do pH no aqua de 20 litros.

Amanhã também vem uma nova aquisição cá para casa a que resisti durante algum tempo, já que não me parece muito boa ideia manter nestes aquas um peixe que cresce tanto (já me bastam os de água fria) mas os seus serviços estão definitivamente a ser necessários, é um simpático Comedor de Algas Siamês que deixei hoje reservado na loja e vou amanhã buscar.

1 de junho de 2006

Parâmetros

Resolvi começar a tomar nota dos parêmetros dos aquas e tentar establecer um padrão de "normalidade" de características para cada um deles, e conforme a água de cada um fazer pequenos ajustamentos de fauna e flora, se necessário. É um projecto que até dá um ar de investigação científica à coisa! E bem ou mal já aprendi um bocado de química graças à aquariofilia. :P

Aquário 15L

Aquário 20L

Aquário 30L

Aquário 65L

Data

01-06-06

01-06-06

01-06-06

01-06-06

pH

7,5

6

7

7,2

dGH

4

5

4

4

Amónia

0

0

0

0

Nitritos

0,05

0

0,07

0,08

Nitratos

15

75

35

10

Temperatura

27°

31°

29°

29°

Fertilização

Sim

Não

Não

Sim


Estas foram as medições de ontem. E claro, tenho que comprar o teste de nitratos, o de dureza já tratei hoje de arranjar e daqui a pouco vou fazer a medição, e actualizo isto. A grande surpresa destas medições foi o pH do aqua nº 2, um 6 totalmente inesperado, bem como uma temperatura de 31° que não consigo facilmente explicar nem baixar. Curiosamente é o único dos aquas que já ciclou totalmente, todos os outros tem sofrido tantas alterações de filtros que ainda estão com nitritos.

28 de maio de 2006

Ideias para o futuro

Não tenho tido, nos últimos dias, grandes oportunidades para aqui escrever, mas entretanto tenho aproveitado para pensar quais serão as minhas próximas prioridades no que respeita ao hobby. Em relação ao blog quero continuar em força com os setups que ainda faltam e numa segunda fase passar a abordar os setups numa perspectiva de artigos temáticos em vez de meras fichas descritivas, vou também continuar as fichas das espécies que mais gosto (e ainda faltam bastantes) e entretanto, se for oportuno e me surgirem assuntos pertinentes, vou escrevendo pelo meio uns artigos temáticos sobre fauna e flora.
Isto são ideias relacionadas mais concretamente com o blog, ligadas com o hobby o meu próximo projecto é tentar criar uma espécie com consistência e sucesso, só ainda não me consegui foi decidir por qual - Nuvens Brancas, Guppies, Mollies? Ou alguma que ainda não me tenha ocorrido. Queria uma espécie que apresentasse algum desafio (no caso dos guppies o desafio seria o aspecto selectivo) mas que não fosse extremamente complexa de criar, já que os meus recursos de espaço e financeiros são muito limitados neste momento. :)