24 de junho de 2006

Projectos

Há já bastantes dias que aqui não escrevo mas não tem sido por falta de vontade, tem sido por falta de tempo, o ano na Universidade está quase a terminar e os exames têm estado aqui em força, no entanto não me tem faltado actividade aquariofila, nomeadamente uma remodelação a fundo do aqua de 65 litros sobre o qual estou finalmente a conseguir obter ideias consistentes - está no bom caminho, no de ser um aquário original e de aspecto agradável e funcionamento equilibrado. Tenho também tentado concretizar pequenos projectos nos outros aquas, a introdução de um casal de Ramirezis Dourados no aqua de 20 litros onde deixei, finalmente, de tentar adequar a água e o seu pH de 6 aos peixes e optei por adequar os peixes à água, ou seja, retirei do aqua o trio de Guppys e os Tanichtys e coloquei lá os Ramirezis e os Neons que estavam no aqua de 65 litros, de modo que agora todos vivem felizes e contentes! Os Ramirezis são uma grande curiosidade minha desde há algum tempo, mas sempre me intimidou um pouco a sua reputação de peixes delicados, também me deixa contente que agora já me sinta à altura de manter esta espécie lindíssima de aspecto e, alegadamente, de carácter.
Os próximos passos prendem-se com o aumento equilibrado e sustentado das espécies vegetais e necessárias melhorias na iluminação, bem como a aquisição de algumas espécies menos vulgares (talvez uns parentes do Comedor de Algas Siamês que descobri recentemente e me agradaram bastante que são os Crossocheilus latius, e alguns Melanotaenia praecox...) para povoarem o aqua de 65 litros que agora está espaçoso demais. :) Infelizmente tenho estado sem nenhuma das minhas máquinas fotográficas e ainda não tenho fotos para aqui colocar, mas assim que me seja possível vou tratar de as providenciar!
Um grande projecto que tenho vindo a formular, mas que só é exequível a médio prazo por motivos financeiros :P, um "Aquário Chinês" - Tanichtys albonubes, Beaufortia leverettii, Oryzias latipes (este não sendo propriamente chinês anda lá perto) e, claro, a eterna estrela deste mundo feito de água que dá pelo nome de Carassius auratus; é este tipo de fauna, de grande distinção e bonomia, que vai dar vida a este projecto. Está só a começar o projecto mas vai ser algo em grande; vou aqui criar uma série de entradas a ele dedicadas.

13 de junho de 2006

Mais mudanças e melhoramentos

Os últimos dias têm sido um pouco acelerados e com escasso tempo passado em casa perto dos aquários, logo as minhas actividades aquariofilas têm passado mais pela recolha de informação e aperfeiçoamento de ideias, reflexão sobre espécies que me interessem e que tenho possibilidades de manter, melhoramentos no funcionamento dos aquas e dos lay-outs. Foi no envolvimento destes pensamentos que tomei a decisão de reformular o aquário de 65 litros (isto faz já uns dias desde que iniciei esse trabalho), nunca fiquei contente com ele. O caso é que foi montado na pressa do entusiasmo de o montar. Já tenho bem obrigação de saber que as coisas só funcionam à altura das melhores expectativas quando se planificam e se gasta o tempo necessário à criação das condições adequadas.

O aquário de 65 litros, conclui, que tinha espécies de plantas demasiadamente diversificadas e que isso em termos visuais limitava a consistência do aquário. Em certa medida conclui o mesmo no que respeita aos peixes, tinha duas espécies de Tetras, os Neons e os Cobre (Paracheirodon innesii e Hasemania nana) e isso, ainda que em si não tenha mal algum, não dava nenhuma calma ou orientação visual ao aqua, havia sempre peixes dispersos por todo o aqua, sempre coisas a mexerem-se indistintamente, simplesmente não funcionava de modo que me parecesse agradável.

O aquário tinha uma parte com uma bela areia castanha e o restante com areão de vários tamanhos e várias cores misturadas (incluído algumas pepitas de areão colorido) que davam, no geral, um ar pardo ao areão que mal de distinguia da areia e, no particular um ar caótico, um tronco comprido com uma Anúbia erguido no meio do aqua e algumas rochas castanhas claras que apenas eram mais elementos que indefiniam o aqua em vez de o definir. Uma das coisas que de imediato percebi que tinha que alterar era o areão, com aquele o aqua nunca ficaria decente, apontei a mira para um areão escuro que contrastasse com a areia (essa sim bastante bonita), lá fui correndo as lojas numa prospecção de areão escuro; penso que o essencial da minha ideia seria algo que tivesse a ver com um Power Soil castanho da ADA, mas isso está muito além do alcance da minha bolsa, e já que o o aqua não vai ser um plantado (apesar de ter algumas plantas) o investimento não se justificava. Acabei por comprar um areão negro da Scalare, indicado como sendo próprio para ciclídeos, nada de mais além de uma provavél subida do pH que não me incomoda particularmente. Não é aquilo que tinha imaginado mas funciona razoavelmente bem o contraste entre o areão escuro e o verde das Hygrophilas que coloquei nessa zona do aqua. O problema que agora se me apresenta por resolver incide sobre que tipo de rochas vou por no aqua, tenho duas “manchas” principais, uns 2/5 de areia castanha clara e uns 3/5 de areão cinzento escuro, cortados por um tronco comprido e fino de um castanho muito escuro tombado no fundo numa posição que borda o recorte da mancha de areia; agora necessito de encontrar uma rocha razoavelmente grande que sirva como ponto focal do aqua cuja cor combine com as duas principais manchas de cor já existentes (não me agrada a ideia de introduzir uma nova coloração principal no aqua).

A fauna reduzi-a; retirei os tetras e mantenho neste momento apenas uma Ameca, duas Mollies, 5 Corys Panda e um Pitbull, no entanto penso introduzir mais uma Molly fêmea, duas Amecas fêmeas, talvez mais uma ou duas Corys, uns dois Beaufortia levertti e mais uma espécie pequena de cardume, talvez Nuvens Brancas ou Medakas. Ando com a ideia de me dedicar a alguma espécie um pouco mais rara e que funcione em grupos pequenos, e que, claro, seja também pequena.

Assim que puder coloco aqui uma foto do “work in progress”.

O outro aquário intervencionado foi o das Jordanelas, de 15 litros. Deixou de ser de 15 e passou a ser de 30 litros (uma pechincha, da Aquatlantis, a que juntei uma calha de 50 cm com uma T8 de 15 watts que tinha encostada), não que houvesse algo de errado com o lay-out existente ou o funcionamento do aqua, apenas estava tudo um pouco “apertado”. De resto nada mudei, a mesma flora, o mesmo substracto, o filtro apenas o troquei com o do aqua de 37 litros, o excelente deste é que me permite cria um efectivo ponto focal e, o melhor de tudo, introduzir mais exemplares ou talvez uma nova espécie, de killis em princípio, mas estou ainda bastante indeciso, o óptimo é ter possibilidades em aberto!

Quanto a fotos, vale o que disse sobre o outro aqua.

7 de junho de 2006

Susto

Estava eu muito contente a introduzir duas Corys Bronze (Corydoras aeneus) na sua nova casa, o aqua de 15 litros que tenho em Setúbal em casa dos meus pais, quando reparo que o fundo do aquário está imundo. Tinha estado a fazer uma tpa que levantou alguma da areia, que entretanto assentou mas que trouxe ao de cima uma camada razoavel de detritos. Reparo nisto e tinha acabado de colocar o camaroeiro com as corys no aqua - pareceu-me que as duas tinham saído, rapidamente retiro o camaroeiro e começo a aspirar a areia. Terminada a operação, olho o aqua para verificar o que estão achando os novos inquilinos dos seus aposentos, mas apenas vejo uma das corys, pensei que a outra estivesse escondida no "desfiladeiro"; mas nada, não existe uma das corys no aquário. Pensando que "claro que um peixe não leva sumiço em minutos", ponho-me a analisar as hipóteses lógicas que são possíveis, então surge fulgurante a palavra "CAMAROEIRO" na minha cabeça! Lá estava a pobre cory em seco fazia uns 10 minutos... mal a ponho na água sai disparada para o fundo e lá fica de pernas (ou barbatanas?) para o ar.
Já a dava como baixa por conta da minha estupidez. O certo é que agora, coisa de uma horita após os eventos relatados, estão as duas eléctricas e juntinhas vasculhando o fundo do aqua.

Mais cinco pontos para as corys!

6 de junho de 2006

Coridora Panda (Corydoras panda)

Tal como havia mencionado, a ficha da Corydoras panda, em que estava a trabalhar está agora completa e à disposição de todos os admiradores destes simpaticíssimos animais! :P

Coridora Panda (Corydoras panda)

Nijssen & Isbrucker, 1971

Duas Corydoras panda descansam juntas.

Ordem: Siluriformes.

Família: Callichthyidae.

Sinónimos: Não são conhecidos.

Sinónimos comuns: Não são conhecidos.

Origem: Do Peru, da alta bacia do Amazonas. Também pode ser encontrada nos seguintes rios: Rio Aquas, Rio Amarillas, e no sistema do Rio Ucayali.

Habitat natural: As condições do rio onde foi identificada pela primeira vez (o Lullapichis, do sistema do Ucayali) eram as seguintes: um pH de 7.7 e uma dureza total de 3.1 dGH, a temperatura da água variava entre os 23.5° C durante o dia e descendo durante a noite para os 22.5° C. Ou seja, prefere geralmente águas um pouco mais frias do que o que é normal em espécies tropicais, visto que é originária dos rios nas encostas dos Andes onde as águas são mais frias e com alguma corrente.

Descrição: São pequenos peixes com um aspecto curto e encorpado, cujo corpo é constituído por placas ósseas articuladas. O corpo tem uma coloração entre um amarelo muito claro e um bege rosado muito claro também, excepto no pedúnculo da barbatana caudal, na barbatana dorsal e junto aos olhos, onde tem pequenas manchas negras, que nas junto aos olhos têm a forma de listas. Têm junto à boca dois pequenos barbilhos. As barbatanas dorsal e peitorais possuem espinhas. Os opérculos têm um aspecto brilhante.

Comprimento máximo: 4 cm nos machos e 6 cm nas fêmeas.

Dimorfismo sexual: Não é muito pronunciado, no entanto as fêmeas são maiores e mais largas, especialmente se vistas de cima. O macho tem uma forma mais esguia.

Esperança de vida: O comum é viverem cerca de 5 anos mas podem, em condições óptimas, viver cerca de 10 anos.

Temperatura: 19 a 28 ºC, sendo no entanto a amplitude em que se sentem mais confortáveis entre os 21 e os 25 ºC.

pH: Ligeiramente ácido a ligeiramente alcalino, 6 – 8. O pH ideal será um neutro, o mais próximo possível do 7.

Dureza da água: Macia a moderadamente dura, 2 – 12° dGH.

Dieta: São omnívoros, podem ser alimentado com flocos de alta qualidade e devem ser alimentadas em boa medida com pastilhas de fundo. Também apreciam larvas vermelhas e tubifex.

Horas de actividade: São diurnos.

Aquário: Por esta espécie de Coridoras não atingir um grande tamanho um pequeno grupo (cerca de 6) pode ser mantido em aquários relativamente pequenos, de cerca de 20 litros e sem mais peixes. Em aquários comunitários maiores podem ser mantidos grupos maiores. O aquário deve ser muito bem arejado e ter alguma corrente. O areão não deve ter arestas cortantes onde as Coridoras possam ferir os barbilhos que constantemente percorrem o fundo do aquário em busca de comida. Além disso deve ter alguns abrigos onde os animais possam descansar, algo que normalmente fazem em grupo.

Zonas do aquário: Fundo (com ocasionais corridas até a superfície para respirarem).

Sociabilidade: São peixes extremamente sociais que devem ser mantidos em grupos de pelo menos 6 congéneres, ou pelo menos outras corydoras de tamanho idêntico. São dos peixes mais pacíficos que se pode colocar num aquário comunitário. Podem ser por vezes tímidas ou assustadiças se não foram mantidas em grupo ou se foram mantidas com peixes agressivos.

Variedades: Não são conhecidas. É, no entanto, muitas vezes confundida com outras espécies de coridoras como a Corydoras melini, Corydoras adolfoi, Corydoras davidsandi, ou Corydoras metai por exemplo.

Reprodução: É uma espécie ovípara e não muito difícil de reproduzir, desde que se verifiquem condições da água e uma dieta favoráveis. Trocas parciais de água a uma temperatura inferior da que se encontra no aquário ou alimentação com comida viva podem induzir à postura. Para proceder à reprodução deve-se, idealmente, isolar um pequeno grupo, de um macho e duas ou mais fêmeas (deste grupo irá emergir um casal), num tanque próprio de, pelo menos, uns 40 litros. O aquário deve ter algumas plantas (mas preferencialmente Musgo de Java ou Feto de Java) onde os ovos possam aderir já que as coridoras preferem colocar os ovos em folhas de plantas que preparam e limpam para o efeito, do que no fundo do aquário – o fundo do tanque pode ser despido ou coberto com areia fina. Em adição, um pequeno filtro apenas com esponja e um bom arejamento da água proporcionam, em princípio, o conjunto das condições necessárias para uma reprodução bem sucedida.
Após formarem um par, o macho e a fêmea procedem a um enérgico ritual de acasalamento com o macho a posicionar-se sobre a fêmea na perpendicular, numa posição em “T”. A fêmea carrega os ovos junto ás barbatanas peitorais e apenas um de cada vez. É das espécies de coridoras que menos ovos põe a cada postura, e estas normalmente ocorrem por altura do “crepúsculo”, um pouco antes ou depois das luzes se apagarem.
O comportamento dos pais no que respeita a comerem ou não os ovos e aos alevins pode ser imprevisível, pelo que é aconselhável remover os animais adultos do aquário após a postura. Os ovos eclodem entre 3 a 6 dias após a postura. Os alevins devem então ser criados em tanques rasos, como coridoras que são vão necessitar de subir a superfície ocasionalmente em busca de ar, dada a sua pequena dimensão e estado de desenvolvimento essa tarefa deve ser facilitada mais possível. Os alevins devem inicialmente ser alimentados com infusória e náuplios de artémia, passado algum tempo podem começar a comer pequenos flocos. Após cerca de 5 dias as pequenas coridoras começam a vasculhar o fundo do tanque em busca de comida.

Comportamento: São uma espécie activa, muito social e gregária entre si e outras coridoras, e nada agressiva para companheiros de aquário. Devem ser mantidos grupos de 6 indivíduos no mínimo, uma vez aclimatados passarão a maior parte do seu tempo vasculhando o fundo do aquário em grupo buscando comida ou descansando, de preferência, numa zona coberta do aquário. De vez em quando nadam num movimento repentino até a superfície do aquário para absorverem ar.

História e Curiosidades: Foi capturada pela primeira vez por num pequeno arroio junto ao Rio Lullapichis, do sistema do Ucayali, em 1969 e descrita em 1971 por Nijssen e Isbrücker. O seu nome específico, panda, faz alusão as semelhanças da sua coloração com a dos ursos Panda.

4 de junho de 2006

Ponto da situação II

Só um rápido ponto da situação: já testei os aquas para os nitratos e mais alto foi o de 20 litros, vou agora fazer uma tpa. Adicionei à minha família aquática o Crossocheilus siamensis e mais duas Corydoras panda. Estão a dar-se muito bem nos aquas e brevemente vou por-lhes aqui o retrato. Entretanto também estou quase a terminar uma nova ficha de espécie, a da Corydora Panda, que amanhã, no máximo, espero aqui colocar. :)

2 de junho de 2006

Actualizações

Estive a actualizar os setups já aqui publicados e que sofreram todos eles algumas alterações nos últimos dias, no 2 e no 4 quase imperceptíveis, no 3 sim foram mais significativas e não pararam ainda - é um aqua com o qual não estou nada contente, especialmente no que toca à vegetação, já experimentei bastantes plantas que acabaram por sair após uns dias no aqua, e continuo sem entender com quais poderá funcionar. O caso é que a iluminação também nao é grande coisa e isso sem dúvida que limita as opções.

Entretanto estive a medir a dureza total da água de cada um dos aquas e já actualizei a tabela, amanhã terei que arranjar um teste de nitratos, já que estou desconfiado que podem ser nitratos em excesso o que está a causar a queda do pH no aqua de 20 litros.

Amanhã também vem uma nova aquisição cá para casa a que resisti durante algum tempo, já que não me parece muito boa ideia manter nestes aquas um peixe que cresce tanto (já me bastam os de água fria) mas os seus serviços estão definitivamente a ser necessários, é um simpático Comedor de Algas Siamês que deixei hoje reservado na loja e vou amanhã buscar.

1 de junho de 2006

Parâmetros

Resolvi começar a tomar nota dos parêmetros dos aquas e tentar establecer um padrão de "normalidade" de características para cada um deles, e conforme a água de cada um fazer pequenos ajustamentos de fauna e flora, se necessário. É um projecto que até dá um ar de investigação científica à coisa! E bem ou mal já aprendi um bocado de química graças à aquariofilia. :P

Aquário 15L

Aquário 20L

Aquário 30L

Aquário 65L

Data

01-06-06

01-06-06

01-06-06

01-06-06

pH

7,5

6

7

7,2

dGH

4

5

4

4

Amónia

0

0

0

0

Nitritos

0,05

0

0,07

0,08

Nitratos

15

75

35

10

Temperatura

27°

31°

29°

29°

Fertilização

Sim

Não

Não

Sim


Estas foram as medições de ontem. E claro, tenho que comprar o teste de nitratos, o de dureza já tratei hoje de arranjar e daqui a pouco vou fazer a medição, e actualizo isto. A grande surpresa destas medições foi o pH do aqua nº 2, um 6 totalmente inesperado, bem como uma temperatura de 31° que não consigo facilmente explicar nem baixar. Curiosamente é o único dos aquas que já ciclou totalmente, todos os outros tem sofrido tantas alterações de filtros que ainda estão com nitritos.

28 de maio de 2006

Ideias para o futuro

Não tenho tido, nos últimos dias, grandes oportunidades para aqui escrever, mas entretanto tenho aproveitado para pensar quais serão as minhas próximas prioridades no que respeita ao hobby. Em relação ao blog quero continuar em força com os setups que ainda faltam e numa segunda fase passar a abordar os setups numa perspectiva de artigos temáticos em vez de meras fichas descritivas, vou também continuar as fichas das espécies que mais gosto (e ainda faltam bastantes) e entretanto, se for oportuno e me surgirem assuntos pertinentes, vou escrevendo pelo meio uns artigos temáticos sobre fauna e flora.
Isto são ideias relacionadas mais concretamente com o blog, ligadas com o hobby o meu próximo projecto é tentar criar uma espécie com consistência e sucesso, só ainda não me consegui foi decidir por qual - Nuvens Brancas, Guppies, Mollies? Ou alguma que ainda não me tenha ocorrido. Queria uma espécie que apresentasse algum desafio (no caso dos guppies o desafio seria o aspecto selectivo) mas que não fosse extremamente complexa de criar, já que os meus recursos de espaço e financeiros são muito limitados neste momento. :)

25 de maio de 2006

Tetra Cobre (Hasemania nana)

Mais um dos meus amigos aquáticos preferidos, que aqui deixo na vossa companhia:

Tetra Cobre (Hasemania nana)

Lütken, 1875


A foto já apareceu num post anterior, é um dos exemplares de que sou o orgulhoso dono.


Ordem: Characiformes.

Família: Characidae.

Sinónimos: Tetragonopterus nanus, Hemigrammus nanus, Hasemania marginata, Hasemania melanura.

Sinónimos comuns: Hasemania, e em inglês: Silvertip tetra.

Origem: Originários do Brasil, das bacias dos rios São Francisco, Purus, Orinoco, Amazonas e Iguaçu.

Habitat natural: Rios de água doce e algo agitada.

Descrição: São pequenos peixes com a forma alongada e elegante típica dos tetras e com uma cor de amarelo dourado. Têm as pontas das barbatanas dorsal, ventral e caudal com pontas brancas, característica morfológica marcante donde deriva o seu nome inglês de “silvertip”, além disso possuem uma mancha negra alongada junto à parte central da barbatana caudal. Não têm a barbatana adiposa característica dos caracídeos.

Comprimento máximo: 4 cm.

Dimorfismo sexual: Não é, à primeira vista, muito pronunciado, no entanto, tomando um pouco de atenção é fácil fazer a distinção dos sexos já que os machos têm uma coloração de um amarelo mais vivo enquanto que as fêmeas são de um amarelo mais acastanhado e de brilho mais baço. Além disso as fêmeas tendem a ter um corpo mais arredondado do que os machos, e a ponta da barbatana anal que nos machos é branca nas fêmeas é amarelada.

Esperança de vida: 5 anos.

Temperatura: 22 a 28 ºC (25 ºC para reprodução).

pH: Ácido a neutro, 5.5 – 7.

Dureza da água: Macia a moderadamente dura, 4 – 10° dGH.

Dieta: São omnívoros, no entanto, devem ser alimentados preferencialmente com carne, artémia, larvas vermelhas ou tubifex, por exemplo. Aceita tudo o que se oferece, alimentos em floco, vivos, liofilizados ou congelados.

Horas de actividade: São diurnos.

Aquário: Deve ter pelo menos 60 cm já que estes são peixes algo hiperactivos e nadadores extremamente velozes, além disso é conveniente que sejam mantidos em pequenos cardumes de 5 indivíduos pelo menos. O aquário deve ser plantado deixando também áreas livres para nadar, e ter alguma corrente, contra a qual os Tetras Cobre gostam de nadar. São aconselháveis plantas flutuantes que atenuem um pouco a intensidade da iluminação, o que permite acalmar os peixes bem como realçar a sua coloração. Pode ser recomendável utilizar turfa no sistema de filtragem.

Zonas do aquário: Meio.

Sociabilidade: São peixes sociais que são no entanto hiperactivos e curiosos, o que pode criar problemas a espécies mais calmas ou tímidas com que partilhem o aquário. Têm tendência a, movidos pela curiosidade, por vezes mordiscar a cauda de outros peixes, especialmente se estes forem vistosos (como os guppies, por exemplo). Serem mantidos em grupos grandes pode ajudar a diminuir este comportamento para com outras espécies. São peixes que, em princípio, não darão problemas em aquários comunitários.

Variedades: Não são conhecidas.

Reprodução: São ovíparos e não é a espécie mais fácil de reproduzir. Se se tratar de um aquário comunitário este deve ser espaçoso pois os machos podem-se tornar territoriais durante o período de acasalamento. A alternativa preferível é a deslocação do casal para um aquário próprio (com areão grande ou uma rede no fundo que permita aos ovos serem depositados longe do alcance dos pais que os devorariam) que poderá ser mais pequeno – além disso separar um par num aquário pode incitar à reprodução bem como tornar mais fácil o controlo da sua alimentação que deve, especialmente neste período, ser rica e variada. A água deste aquário deve ser ligeiramente ácida com um pH de 6,5 e a temperatura de cerca de 25 ºC. Após a postura os pais devem ser retirados do aquário.
Os ovos têm cerca de 1 mm e são bastante aderentes. Entre 24 a 36 horas após a postura dá-se a eclosão e os alevins nascem com uma cor transparente, e após cerca de 5 dias começam a nadar livremente. A alimentação não levanta grandes problemas pois os alevins nascem com saco vitelino de que se alimentam num período inicial, após este período pode-se começar a alimentá-los com infusória, náuplios de artémia ou alimento seco triturado em pequenos pedaços.

Comportamento: É um peixe robusto, gregário, muito vivo e curioso, quase se poderia dizer que gostam de “brincar”. É ideal manterem-se cardumes de cerca de 10 indivíduos, porém podem-se manter menos – esta variação no número de indivíduos presentes influencia o seu comportamento, sendo que em grupos pequenos tendem a ser mais hiperactivos, o que pode por si mesmo ser interessante de observar (e garantir que não descambe em demasiada agressividade para com os semelhantes e outros). É um peixe que se sente feliz, também, ao ser mantido com outras espécies de tetras de carácter semelhante.

História e curiosidades: Foi identificado em 1875 e importado pela primeira vez em 1937 para o Aquário de Hamburgo. O facto de não possuir a barbatana adiposa típica dos caracídeos levou a que fosse sucessivamente mudando de nome e classificação taxonómica.

Setup nº4

Este é o aquário de 15 litros que desmontei recentemente e que pensava que tão cedo não iria usar novamente, a não ser como aqua de criação talvez. O que aconteceu foi que vi numa loja Jordanelas à venda e fiquei curioso sobre que peixes seriam aqueles, fui pesquisar sobre elas e imediatamente soube que iria ter que arranjar espaço para duas criaturinhas daquelas. O que li sobre o comportamento delas era irresistível demais, ter peixes que se comportam como ciclídeos sem serem ciclídeos e que ainda por cima são dos melhores devoradores de algas que se pode imaginar! E são killis, peixes sobre os quais sempre manti uma curiosidade ignorante, que agora espero começar a dissipar. :)
Montei o aquário, com muitas dúvidas sobre o lay-out e as plantas a colocar, queria usar a areia branca que ficou do setup anterior, e queria tentar fazer uma aproximação a um biótopo da América Central mas estava um pouco às apalpadelas sem saber bem que plantas arranjar, quais estariam disponíveis e que poderiam funcionar bem num aqua tão pequeno - e que fossem pelo menos no continente Americano. Corri algumas lojas mas o que ia encontrando que se encaixava neste perfil ou era caríssimo ou estavam já em muito mau estado (e isto aconteceu em lojas das mais "prestigiadas" na aquariofilia nacional), ou as duas coisas. Curiosamente eram sempre plantas da Tropica, talvez por isso sempre tão caras. Até que por fim lá fui a uma loja perto de casa, na Gare do Oriente e que alguns leitores saberão qual é, e lá consegui numa "reviravolta" arranjar plantas em quantidade e preço, e estado bastante bom - e que eram americanas e, acima de tudo, tinham o tamanho ideal para o aqua e além disso eram bonitas e consistentes entre si nos seus aspectos! Um dia de aquariofilista em cheio. :) Conclusão desta pequena história, daqui em diante, plantas da Tropica só se não tiver mesmo outra hipótese, as que comprei são da Stoffels, um produtor que só descobri à pouco tempo na dita loja, e esta pode ter defeitos que são tipícos do comércio massificado e no que toca ao comércio de animais isso pode dar especial mau resultado por vezes, mas no que toca a plantas está agora no topo da minha consideração!

Seja como for aqui fica o setup e uma foto do aqua. Postei também uma foto dos seus habitantes mas achei melhor colocá-la no
post que trata da sua espécie, as Jordanelas.


Substracto:
Areia branca, várias pedras vulcânicas castanhas.

Equipamento:
Lâmpada fluorescente 15 Watts e 6400 k.
Filtro interno Aqua Szut de 260 l/h com oxigenação, material filtrante de esponja e EHEIM substract pro.
Termoestato de 25 Watts.
Termómetro interno.

Flora:
1 Anubias barteri var. nana, altura de 5 -15 cm, largura de 8+ cm, luz muito baixa a média, temperatura de 20 - 30 °C, pH de 5,5 - 9, crescimento muito lento, origem nos Camarões.

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1 Lobelia cardinalis, altura de 20 – 30+ cm, largura de 7 – 15 cm, luz média a muito alta, temperatura de 15 – 26 °C, pH de 6-8, crescimento lento, origem na América do Norte.


2 Sagittara teres, altura de 10 – 15 cm, largura de 4+ cm, luz média a muito alta, temperatura de 20 – 26 °C, pH de 5,5 – 8, crescimento lento, origem na América do Norte.


2 Echinodorus quadricostatus, altura de 10 – 15 cm, largura de 15 – 20+ cm, luz média a muito alta, temperatura de 20 – 28 °C, pH de 6 - 9, crescimento rápido, origem na América do Sul.


Fauna:
Casal de Jordanelas (Jordanella floridae), comprimento máximo de 6 cm, temperatura de 18-30 °C, pH de 6,7 – 8, origem nos E.U.A., Florida.