Aqui falarei de tudo o que se relacione com aquariofilia de água doce com ênfase especial na manutenção de vivíparos selvagens das famílias Goodeidae e Poeciliidae, bem como a recriação dos biótopos naturais onde podem ser encontrados.
4 de junho de 2006
Ponto da situação II
2 de junho de 2006
Actualizações
Entretanto estive a medir a dureza total da água de cada um dos aquas e já actualizei a tabela, amanhã terei que arranjar um teste de nitratos, já que estou desconfiado que podem ser nitratos em excesso o que está a causar a queda do pH no aqua de 20 litros.
Amanhã também vem uma nova aquisição cá para casa a que resisti durante algum tempo, já que não me parece muito boa ideia manter nestes aquas um peixe que cresce tanto (já me bastam os de água fria) mas os seus serviços estão definitivamente a ser necessários, é um simpático Comedor de Algas Siamês que deixei hoje reservado na loja e vou amanhã buscar.
1 de junho de 2006
Parâmetros
Aquário 15L | Aquário 20L | Aquário 30L | Aquário 65L | |
Data | 01-06-06 | 01-06-06 | 01-06-06 | 01-06-06 |
pH | 7,5 | 6 | 7 | 7,2 |
dGH | 4 | 5 | 4 | 4 |
Amónia | 0 | 0 | 0 | 0 |
Nitritos | 0,05 | 0 | 0,07 | 0,08 |
Nitratos | 15 | 75 | 35 | 10 |
Temperatura | 27° | 31° | 29° | 29° |
Fertilização | Sim | Não | Não | Sim |
Estas foram as medições de ontem. E claro, tenho que comprar o teste de nitratos, o de dureza já tratei hoje de arranjar e daqui a pouco vou fazer a medição, e actualizo isto. A grande surpresa destas medições foi o pH do aqua nº 2, um 6 totalmente inesperado, bem como uma temperatura de 31° que não consigo facilmente explicar nem baixar. Curiosamente é o único dos aquas que já ciclou totalmente, todos os outros tem sofrido tantas alterações de filtros que ainda estão com nitritos.
28 de maio de 2006
Ideias para o futuro
Isto são ideias relacionadas mais concretamente com o blog, ligadas com o hobby o meu próximo projecto é tentar criar uma espécie com consistência e sucesso, só ainda não me consegui foi decidir por qual - Nuvens Brancas, Guppies, Mollies? Ou alguma que ainda não me tenha ocorrido. Queria uma espécie que apresentasse algum desafio (no caso dos guppies o desafio seria o aspecto selectivo) mas que não fosse extremamente complexa de criar, já que os meus recursos de espaço e financeiros são muito limitados neste momento. :)
25 de maio de 2006
Tetra Cobre (Hasemania nana)
Tetra Cobre (Hasemania nana)
Lütken, 1875
A foto já apareceu num post anterior, é um dos exemplares de que sou o orgulhoso dono.
Ordem: Characiformes.
Sinónimos: Tetragonopterus nanus, Hemigrammus nanus, Hasemania marginata, Hasemania melanura.
Origem: Originários do Brasil, das bacias dos rios São Francisco, Purus, Orinoco, Amazonas e Iguaçu.
Habitat natural: Rios de água doce e algo agitada.
Descrição: São pequenos peixes com a forma alongada e elegante típica dos tetras e com uma cor de amarelo dourado. Têm as pontas das barbatanas dorsal, ventral e caudal com pontas brancas, característica morfológica marcante donde deriva o seu nome inglês de “silvertip”, além disso possuem uma mancha negra alongada junto à parte central da barbatana caudal. Não têm a barbatana adiposa característica dos caracídeos.
Comprimento máximo: 4 cm.
Dimorfismo sexual: Não é, à primeira vista, muito pronunciado, no entanto, tomando um pouco de atenção é fácil fazer a distinção dos sexos já que os machos têm uma coloração de um amarelo mais vivo enquanto que as fêmeas são de um amarelo mais acastanhado e de brilho mais baço. Além disso as fêmeas tendem a ter um corpo mais arredondado do que os machos, e a ponta da barbatana anal que nos machos é branca nas fêmeas é amarelada.
Esperança de vida: 5 anos.
Temperatura: 22 a 28 ºC (25 ºC para reprodução).
pH: Ácido a neutro, 5.5 – 7.
Dureza da água: Macia a moderadamente dura, 4 – 10° dGH.
Dieta: São omnívoros, no entanto, devem ser alimentados preferencialmente com carne, artémia, larvas vermelhas ou tubifex, por exemplo. Aceita tudo o que se oferece, alimentos em floco, vivos, liofilizados ou congelados.
Horas de actividade: São diurnos.
Aquário: Deve ter pelo menos 60 cm já que estes são peixes algo hiperactivos e nadadores extremamente velozes, além disso é conveniente que sejam mantidos em pequenos cardumes de 5 indivíduos pelo menos. O aquário deve ser plantado deixando também áreas livres para nadar, e ter alguma corrente, contra a qual os Tetras Cobre gostam de nadar. São aconselháveis plantas flutuantes que atenuem um pouco a intensidade da iluminação, o que permite acalmar os peixes bem como realçar a sua coloração. Pode ser recomendável utilizar turfa no sistema de filtragem.
Zonas do aquário: Meio.
Sociabilidade: São peixes sociais que são no entanto hiperactivos e curiosos, o que pode criar problemas a espécies mais calmas ou tímidas com que partilhem o aquário. Têm tendência a, movidos pela curiosidade, por vezes mordiscar a cauda de outros peixes, especialmente se estes forem vistosos (como os guppies, por exemplo). Serem mantidos em grupos grandes pode ajudar a diminuir este comportamento para com outras espécies. São peixes que, em princípio, não darão problemas em aquários comunitários.
Variedades: Não são conhecidas.
Reprodução: São ovíparos e não é a espécie mais fácil de reproduzir. Se se tratar de um aquário comunitário este deve ser espaçoso pois os machos podem-se tornar territoriais durante o período de acasalamento. A alternativa preferível é a deslocação do casal para um aquário próprio (com areão grande ou uma rede no fundo que permita aos ovos serem depositados longe do alcance dos pais que os devorariam) que poderá ser mais pequeno – além disso separar um par num aquário pode incitar à reprodução bem como tornar mais fácil o controlo da sua alimentação que deve, especialmente neste período, ser rica e variada. A água deste aquário deve ser ligeiramente ácida com um pH de 6,5 e a temperatura de cerca de 25 ºC. Após a postura os pais devem ser retirados do aquário.
Os ovos têm cerca de 1 mm e são bastante aderentes. Entre 24 a 36 horas após a postura dá-se a eclosão e os alevins nascem com uma cor transparente, e após cerca de 5 dias começam a nadar livremente. A alimentação não levanta grandes problemas pois os alevins nascem com saco vitelino de que se alimentam num período inicial, após este período pode-se começar a alimentá-los com infusória, náuplios de artémia ou alimento seco triturado em pequenos pedaços.
Setup nº4
Seja como for aqui fica o setup e uma foto do aqua. Postei também uma foto dos seus habitantes mas achei melhor colocá-la no post que trata da sua espécie, as Jordanelas.

Substracto:
Areia branca, várias pedras vulcânicas castanhas.
Equipamento:
Lâmpada fluorescente 15 Watts e 6400 k.
Filtro interno Aqua Szut de 260 l/h com oxigenação, material filtrante de esponja e EHEIM substract pro.
Termoestato de 25 Watts.
Termómetro interno.
Flora:
1 Lobelia cardinalis, altura de 20 – 30+ cm, largura de 7 – 15 cm, luz média a muito alta, temperatura de 15 – 26 °C, pH de 6-8, crescimento lento, origem na América do Norte.
2 Sagittara teres, altura de 10 – 15 cm, largura de 4+ cm, luz média a muito alta, temperatura de 20 – 26 °C, pH de 5,5 – 8, crescimento lento, origem na América do Norte.
2 Echinodorus quadricostatus, altura de 10 – 15 cm, largura de 15 – 20+ cm, luz média a muito alta, temperatura de 20 – 28 °C, pH de 6 - 9, crescimento rápido, origem na América do Sul.
Casal de Jordanelas (Jordanella floridae), comprimento máximo de 6 cm, temperatura de 18-30 °C, pH de 6,7 – 8, origem nos E.U.A., Florida.
24 de maio de 2006
Ponto da situação
23 de maio de 2006
Internacionalização
Só hoje comecei isto e vou ainda ter algum trabalho pela frente até que o site novo esteja a funcionar bem e que os dois estejam interligados e a funcionarem como um só. Daqui a uns dias já se deve ver qualquer coisa!
22 de maio de 2006
Jordanela (Jordanella floridae)
Jordanela (Jordanella floridae)
Goode & Bean, 1879
Um exemplar macho.
Família: Cyprinodontidae.
Subfamília: Cyprinodontinae.
Sinónimos: Cyprinodon floridae.
Sinónimos comuns: Peixe bandeira-americana, e em inglês: Flagfish, American flagfish, Florida flagfish.
Origem: Identificado pela primeira vez nos E.U.A., na Florida nos rios St. Johns e Ochlocknee. As populações mais significativas encontram-se no centro e sul desse estado norte-americano.
Mapa do estado Norte-americano da Florida indicando locais onde foi identificada a presença da espécie.
Habitat natural: Cursos de água rasos e pouco agitados, de água doce ou salobra, com vegetação.
Descrição: O corpo é mais curto e “comprimido” do que é normal na maioria dos ciprinodontes. Os machos São bastante coloridos. Tanto os machos como as fêmeas têm uma mancha iridescente verde clara em cada escama. O macho tem riscas vermelhas ao longo do corpo formando um “fundo” que contrasta com as escamas verdes e uma zona azulada no quadrante superior junto à cabeça. As cores podem ser mais ou menos intensas conforme o peixe viva num ambiente ajustado às suas necessidades ou não; estas são no geral muito susceptíveis de alterações – que também surgem relacionadas com rituais de acasalamento.
Comprimento máximo:
Dimorfismo sexual: As barbatanas dorsal e ventral do macho são um pouco maiores e de tom avermelhado. As fêmeas têm uma pequena mancha escura junto à ponta da barbatana dorsal e são, no geral, menos coloridas tendo um tom verde ou acastanhado.
Ilustração assinalando as características dimorfas da espécie; há que assinalar que a pigmentação da mancha na zona lateral do corpo do macho está demasiado esbatida e a ausência da mancha característica das fêmeas na sua barbatana dorsal.
Esperança de vida: 3 anos em aquário e 5 em condições naturais óptimas.
Temperatura:
pH: Ligeiramente ácido a ligeiramente alcalino, 6.5 – 8.
Dureza da água: Dura a moderadamente dura, 6 – 10° dGH.
Dieta: Matéria vegetal deve ser o grosso da sua dieta mas, no entanto, são omnívoros e podem comer comidas secas ou vivas. São excelentes devoradores de algas (filamentosas e castanhas incluídas) que devem constituir parte da sua dieta. São também conhecidos por devorarem as plantas mais frágeis do aquário quando não existem outros alimentos disponíveis.
Horas de actividade: São diurnos.
Aquário: São killis e como tal são peixes que se dão bem em áreas relativamente pequenas, ainda que todos os peixes prefiram ter bastante espaço. Se se mantiver apenas um casal um aquário de
Zonas do aquário: Todas.
Sociabilidade: São relativamente pacíficos, os problemas que podem ocorrer prendem-se com o facto de os machos serem territoriais e poderem defender ferozmente o seu território de outros machos, mas num aquário grande podem ser mantidos vários machos sem problemas; além disso são pais cuidadosos com os seus ovos e com a sua prole, que defendem de outros peixes vigorosamente. Também podem mostrar beligerância durante o processo da corte.
Variedades: Não são conhecidas, é no entanto por vezes confundido com um seu parente, o Peixe bandeira do Iucatão (Garmenella pulchra), geralmente de temperamento mais agressivo.
Reprodução: São ovíparos e reproduzem-se com facilidade e numa diversidade grande de condições (são uma espécie especialmente adaptável), necessitando apenas de estarem aclimatados. A elevação da temperatura no aquário pode, por vezes, induzir à reprodução. São preferíveis aquários pouco profundos ou com plantas flutuantes já que esta espécie procura depositar os ovos junto à superfície. Em tanques rasos a presença de plantas é igualmente importante para a colocação dos ovos. Musgo de Java ou um mop podem também ser aconselháveis para permitir a colocação dos ovos.
As fêmeas depositam os ovos junto às plantas em pequenos grupos de 5 ou 6 de cada vez e no final de uma postura podem-se contar até cerca de 350 ovos. A postura dos ovos demasiado abaixo da superfície pode ser prejudicial para os alevins que, assim que nascem, procuram vir à superfície encher de ar a bexiga-natatória – o que pode fazer a diferença entre um posterior desenvolvimento saudável do alevim ou não.
Após a postura o macho vigia e cuida de preservar o bom estado dos ovos, mantendo também a fêmea afastada o que pode levá-lo a agredi-la, pelo que eventualmente pode ser aconselhável a remoção desta do aquário. A eclosão dá-se entre 6 e 9 dias após a postura, preferencialmente a uma temperatura de cerca de 25 ºC. Os alevins nadam livremente após
A Jordanella floridae é o único ciprinodonte que protege a sua prole.
Comportamento: É um peixe pacífico (ainda que possa ser algo territorial quando se trata de interacção entre machos da espécie) e que podem viver um grupos desde que as fêmeas sejam em maior número – o ideal serão várias fêmeas para apenas um macho no aquário. São peixes que, quando formam um casal, passam muito do seu tempo juntos em manifestações de “afecto” e raramente desaparecem da vista um do outro. É uma espécie que em aquários comunitários pode tornar-se tímida perante companheiros de aquário mais hiperactivos ou agressivos, podendo os indivíduos em casos mais extremos definhar.
Como peixe essencialmente vegetariano que é, passa muito do seu tempo passeando em busca de algas para comer, não as encontrando muitas vezes encara as plantas do aquário como alternativa viável.
História e curiosidades: Foi descrito pela primeira vez em 1879 e foi baptizado com o nome genérico de Jordanella em homenagem a David Starr Jordan, um famoso zoólogo americano e primeiro presidente da Universidade de Stanford. Foram anteriormente identificados erradamente como ciclídeos.
São peixes que nos aquários das lojas raramente mostram as suas verdadeiras cores, mantendo cores entre o castanho e o verde algo indiferenciadas que, assim que se encontram num aquário com melhores condições se alteram para uma coloração espectacular.
O seu nome inglês de “American flagfish” deriva das semelhanças que a sua coloração e a forma como esta está disposta apresenta com a bandeira dos E.U.A.; é, curiosamente, uma espécie mais apreciada pelos aquaristas europeus do que pelos do seu país natal.






